
Por que Woody Allen?
Outro dia uma amiga me incluiu em sua conversa sobre Woody Allen com um colega. Ela queria saber por que eu gostava dele e dos seus filmes e me disse que ela e o colega já tinham chegado a uma conclusão: quando o assunto é Woody Allen, existem dois grupos de pessoas. E o colega completou: É, e ela faz parte do outro grupo! E preciso dizer que o assunto que já estava interessante, capturou minha atenção de vez. E posso saber quais são esses grupos? Eu realmente queria saber.
Ela me explicou que existem aqueles que gostam de verdade do diretor; que apreciam seus filmes e compreendem sua mensagem. E há aqueles que não gostam, talvez por não entenderem, não terem paciência para tal desafio e me perguntou de volta: por quê? Comecei a dizer por seus roteiros, sua maneira de contar a vida, seu olhar… e em todas essas respostas, recebi um contra-argumento, mas o que tem de bom nisso? Sabe que diante de tamanha interrogativa, decidi analisar minha preferência e vou tentar sintetizar aqui com alguns exemplos.
Por que Woody Allen, Thaís? Para começar, gosto da habilidade que ele tem de rir de si mesmo em suas histórias, como Allen mostra suas neuroses e humor característico no filme Édipo Arrasado (1979). Gosto ainda de como ele tem esse jeito todo seu, um olhar particular sobre as experiências, questionamentos e as relações humanas, como em Crimes e pecados (1989) no qual a gente vê duas histórias paralelas com um mesmo questionamento: existe razão no viver? Num eterno embate entre razão e emoção, tão recorrente na obra de Woody Allen.
Mas me deixe falar de um filme que é um dos meus favoritos: A Rosa púrpura do Cairo (1985), que é uma bela homenagem à sétima arte. Nele, o cinema serve como metáfora do próprio ato de fazer filme. É uma declaração de amor de Woody Allen ao cinema, e ele brinca com o imaginário e faz o personagem principal sair da telona para o mundo real. Assista, por favor!
Mas espera, você deve estar se perguntando: será que ela só gosta dos filmes antigos dele? Não, todo o sarcasmo, humor peculiar e diálogos bastante afiados estão em vários filmes, inclusive nos atuais, por exemplo Meia-noite em Paris (2011), que com nostalgia e uma fotografia incrível compara a Paris de hoje à da década de 20, questionando se haveria uma idade de ouro melhor do que o tempo em que se vive; fora as inúmeras referências com as quais você se delicia e não consegue parar de sorrir. Obrigada Woody Allen!
Encerro minha defesa com um último filme, sabendo que depois destes ele já fez mais dois (que também já assisti) e tem um em produção; Magia ao Luar (2014), uma doce e leve narrativa que mostra a influência feminina sobre um homem a ponto de fazê-lo duvidar de si mesmo; destacando que no embate entre crença e descrença, ainda há lugar para a magia e maravilha!
Bom, acho que é por tudo isso, e um pouco mais.