31 meu!

 

Essa semana me notei um tanto nostálgica. Lembrei de uma brincadeira bem conhecida que fazia parte da minha infância — o esconde-esconde, mas que por alguns regionalismos talvez tenha algumas peculiaridades. Por exemplo, na hora de se salvar, para não ser pego, você tinha que ir até o pique e gritar: 31 meu! Trinta e um o quê? Pois é, não sei, não se sabe o que, como e nem o porquê.

E comentando sobre essas particularidades das brincadeiras de criança, uma colega me falou: Então Thaís, agora você tem todo direito e toda propriedade para dizer 31 meu! Nós rimos e eu me pus a pensar sobre isso. Já são 31 meu, mesmo! E a gente começa numa avaliação pessoal, meio que involuntária, mas consciente dos 365 dias ou 8760 horas, para os mais precisos. No que errei, no que acertei? Quem valeu a pena e quem nunca mais? O que eu ainda não fiz, mas deveria? O que eu não deveria, mas fiz? O que já completei nessa jornada? Porque eu tenho planos de curto, médio e longo alcance e todos foram cuidadosa e sinceramente avaliados. Você também é assim? O que eu quero hoje, e o que eu quero para amanhã? Mudanças de planos? Novos filmes? Mais livros? Novo amor? Quem sabe?! Quantos pontos de interrogação…

Em outros tempos, talvez 364 dias atrás, eu poderia até surtar, entrar em pânico com tantas perguntas, tantas possibilidades e tantos recomeços. Mas a vida ensina, ela é um recomeço diário, então está tudo bem. E esses 31 que são só meus servem como a minha lição, o meu fôlego, a minha história!

Thaís Soler